O QUE A DOR DE ITUMBIARA NOS ENSINA SOBRE O VAZIO EXISTENCIAL EM LARES “PERFEITOS”
Por Rodrigo de Castro
A notícia que chegou de Itumbiara (GO) nos últimos dias não apenas nos entristeceu; ela nos paralisou. O relato de um pai, Secretário de Governo, inserido em uma família respeitada, que tira a vida dos próprios filhos e comete suicídio, é um golpe duro na consciência de todos nós.
Diante de fatos assim, a primeira reação é buscar culpados externos ou motivos imediatos. Mas, como pai e homem público preocupado com a base da nossa sociedade, sinto que precisamos ter uma conversa mais profunda e dolorosa. Não é apenas sobre Itumbiara. É sobre o que está acontecendo dentro das nossas casas.
Vivemos uma crise silenciosa de valores que está produzindo uma geração – de crianças e de adultos – emocionalmente frágil, incapaz de lidar com a frustração e despreparada para ouvir a palavra mais necessária da vida: o “Não”.
Construímos uma sociedade onde a dor, a perda e o contratempo são vistos como falhas inaceitáveis, e não como partes naturais da existência. Criamos nossos filhos tentando blindá-los de qualquer sofrimento, damos a eles tudo o que pedem, na esperança de sermos “bons pais”. Mas, ao fazer isso, estamos falhando na nossa missão principal: ensinar a resiliência.
Estamos vendo surgir uma geração que desmorona diante do primeiro obstáculo.
- Perdeu o emprego? Vira depressão profunda.
- O casamento acabou? Vira tragédia violenta.
- O filho desobedeceu? Vira desespero.
Qualquer coisa que fuja ao roteiro idealizado do “sucesso” e da “felicidade de rede social” é tratada como um problema insolúvel. A angústia toma conta, o vazio existencial se expande e, infelizmente, em casos extremos, a violência explode contra quem mais amamos.
A tragédia de Itumbiara, assim como tantas outras que temos visto, nos mostra que status, cargo público, dinheiro e sobrenome não preenchem a alma. Pelo contrário, muitas vezes eles mascaram um abismo emocional.
Quando um adulto não tem estrutura interna para processar a rejeição ou a perda de controle, ele reage como uma criança ferida, mas com a força destrutiva de um adulto armado. A falta de resistência à frustração é o mal do nosso século. Transformamos pequenos “nãos” da vida em grandes tragédias familiares.
Precisamos voltar ao básico. A família não se sustenta apenas com viagens, presentes caros ou fotos bonitas no Instagram. Ela se sustenta na Mesa de Jantar, no olho no olho, no diálogo difícil, no limite imposto com amor e na fé que nos dá chão quando o mundo desaba.
Precisamos ensinar nossos jovens (e reeducar a nós mesmos) que a vida é feita de altos e baixos. Que ouvir “não” faz parte do crescimento. Que a tristeza não é o fim da linha, mas uma etapa.
Como deputado, luto por leis e recursos. Mas sei que nenhuma lei substitui o valor de um lar estruturado emocional e espiritualmente.
Que a dor da família de Itumbiara e do prefeito Dione Araújo não seja em vão. Que ela sirva de alerta estridente para que olhemos para dentro dos nossos lares hoje mesmo e nos perguntemos: estamos criando filhos para o mundo real ou para uma ilusão que não suporta o primeiro vento contrário?
Que Deus proteja nossas famílias e nos dê sabedoria para educar com firmeza e amar com responsabilidade.